Crítica: 9 - A Salvação
Se O Golfinho – A Historia de um Sonhador chama atenção pelas cores exuberantes e belas imagens, outra animação que chega aos cinemas é seu completo oposto.
9 – A Salvação (9) é séria (ou como alguns críticos adoram dizer, "sombria"), repleta de momentos fundamentais e não tem a menor aparência de "viveram felizes para sempre".
Baseada em um curta – metragem indicado ao Oscar, idéia original do diretor Shane Arkter, a produção mostra um mundo devastado pelo cérebro humano e pelas mãos das máquinas.
Em um cenário de total desolação, surge 9 (dublado por Elija Wood), um exótico bonequinho de pano, que desperta em um laboratório e logo descobre o motivo pelo qual foi criado.
Ao encontrar outros de sua espécie, o inusitado herói vai lutar contra A Grande Máquina, responsável pela destruição da humanidade, que, apesar de altamente poderosa, tem motivos reais para temer o grupo de bonecos (ainda que eles imaginem o contrário).
Ao dosar com maestria os momentos de tensão e os de delicadeza, Tim Burton mostra mais uma vez que é o grande nome quando se pensa nesse gênero fantástico. A cena em que as criaturas dançam sobre pilhas de destroços ao som de Somewhere over the Rainbow, que toca em uma velha vitrola, é tocante e faz pensar até que ponto a ganância humana pelo poder ilimitado se sobreporá ao direito à vida.
Um elenco de peso empresta suas vozes aos personagens. Entre eles, Christopher Plummer (UP – Altas Aventuras), Martin Landau, Crispin Glover, Jennifer Connelly (Coração de Tinta) e Fred Tatasciore (Madagascar 2 – A Grande Escapada). Já Danny Elfman merece todo destaque por mais uma trilha sonora excepcional.
A classificação 10 anos não impede que os menores entrem acompanhados pelos responsáveis, mas a produção deve mesmo agradar ao público mais velho, que procura além da (quase) perfeição visual, um roteiro inteligente e complexo.
Vale conferir.
por Angela Debellis - angela@otoupeira.com.br
Publicado em: 9/10/2009
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